Rede GTA e liderança Apurinã denunciam “projeto de morte” na Foz do Amazonas e exigem suspensão da licença da Petrobras

Às vésperas da COP30, a Rede de Trabalho Amazônico (GTA) e sua coordenadora Sila Mesquita Apurinã se manifestam contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, classificando a decisão do Ibama de liberar o bloco FZA-M-59 como um “projeto de morte” que ameaça povos da floresta, comunidades costeiras e o equilíbrio ambiental da região. Em nota e declarações públicas, Sila alerta que a medida repete o modelo de destruição histórica na Amazônia e exige que o governo federal cumpra os compromissos climáticos assumidos com o mundo, priorizando a vida e o território sobre os lucros.
A Rede de Trabalho Amazônico (GTA), por meio de sua coordenadora Sila Mesquita Apurinã, posiciona-se com firmeza contra a abertura de feridas na Foz do Amazonas: a exploração petrolífera ali não é apenas uma atividade econômica, é uma ameaça direta aos modos de vida e à integridade socioambiental de ribeirinhos, pescadores, quilombolas e povos indígenas que dependem do ciclo do rio e do mar. A nota pública da rede denuncia que a licença concedida ao bloco FZA-M-59 abre um precedente perigoso, incompatível com qualquer compromisso sério de proteção da Amazônia e de transição energética justa.

Sila Mesquita tem sido incisiva ao traduzir essa preocupação em palavras duras: “Essa licença não é neutra. Ela é parte de um projeto de morte que avança sobre a Amazônia com a mesma lógica de sempre: explorar ao máximo e deixar o rastro de destruição.” E completa: “Nós, povos da floresta, mulheres, ribeirinhos, indígenas e quilombolas, não aceitamos mais sermos tratados como território de sacrifício em nome de um progresso que nunca nos inclui.” Essas falas, difundidas pela GTA nas redes e em eventos públicos, colocam a defesa dos territórios como linha de frente da resistência contra a exploração.
O posicionamento da GTA também aponta para deficiências técnicas e de transparência no processo de licenciamento: ausência de consulta adequada às comunidades afetadas, impacto incompleto do EIA/RIMA e riscos concretos de contaminação das águas e perda de pesca, já apontados por outras redes da sociedade civil que acompanham a pauta. A licença chega em momento sensível, às vésperas da COP30, por isso a Rede exige a suspensão imediata de ações que abrem precedente para produção em escala. A Rede de Trabalho Amazônico pede a convocação de consultas reais com as populações locais.
Em suma, a fala de Sila Mesquita e a nota da GTA não são apenas retórica, mas sim um chamado à urgência: Proteger a Foz do Amazonas é proteger vidas, culturas e um patrimônio global que não comporta concessões irresponsáveis.
