
A participação da Rede GTA no 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA) reforçou a presença dos povos da floresta nos debates nacionais sobre justiça climática, racismo ambiental, saúde coletiva e defesa dos territórios amazônicos. Em meio às discussões sobre crise climática, financiamento internacional e direitos territoriais, representantes da rede levaram ao simpósio uma perspectiva construída a partir da realidade vivida pelas populações tradicionais da Amazônia.
A atuação da organização no evento destacou a importância de ocupar espaços acadêmicos, institucionais e políticos para garantir que indígenas, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares sejam reconhecidos não apenas como populações impactadas, mas como protagonistas na construção de soluções para os desafios ambientais e sociais do país.
Durante o simpósio, o coordenador de Articulação e Parcerias da Rede GTA, Adilson Vieira, participou de debates sobre territórios saudáveis, tecnologias sociais e os impactos das políticas climáticas sobre os povos tradicionais.

No painel “Territórios de Vida: interseccionalidade, tecnologias sociais e caminhos para territórios saudáveis e sustentáveis”, Adilson destacou que os territórios amazônicos não podem ser vistos apenas como reservas de recursos naturais ou espaços estratégicos para exploração econômica.
Segundo ele, os povos da floresta produzem formas próprias de cuidado, proteção ambiental e organização comunitária, fundamentais para o enfrentamento da crise climática global.

Já no debate “Financiamento climático, crédito de carbono e anúncios da COP30: desafios para povos e comunidades tradicionais frente ao desmatamento e à degradação florestal”, a Rede GTA levou críticas aos modelos de financiamento que ignoram a participação efetiva das populações tradicionais nas decisões sobre o futuro da Amazônia.
A discussão abordou os riscos da mercantilização da floresta, os impactos de projetos impostos sem consulta comunitária e os desafios enfrentados por territórios que convivem com avanço do desmatamento, grandes empreendimentos e pressão sobre recursos naturais.

A coordenadora nacional da Rede GTA, Sila Mesquita Apurinã, também participou do simpósio levando ao centro do debate a relação entre saúde, racismo ambiental e direitos indígenas.
Em sua participação no painel “Racismo ambiental, modelos de cuidado e formação em saúde indígena: desafios para o bem viver”, Sila denunciou os impactos históricos da exclusão social, da violência territorial e da ausência de políticas públicas adequadas para os povos indígenas da Amazônia.

A liderança indígena reforçou que o debate sobre saúde indígena não pode ser separado da luta pela terra, pela preservação ambiental e pelo reconhecimento dos modos de vida tradicionais.
A participação da Rede GTA no SIBSA também simbolizou o fortalecimento da articulação entre movimentos sociais, universidades, pesquisadores e organizações populares comprometidas com a defesa da vida na Amazônia.

Em um momento em que a região se torna centro de disputas econômicas, energéticas e climáticas, a presença de organizações amazônicas em espaços científicos e políticos tem sido vista como fundamental para ampliar vozes historicamente silenciadas e tensionar modelos de desenvolvimento que continuam ameaçando os territórios da floresta.
Mais do que ocupar mesas de debate, a Rede GTA levou ao simpósio a experiência concreta de quem vive diariamente os impactos das mudanças climáticas, da degradação ambiental e da desigualdade social na Amazônia, reafirmando que não existe solução climática sem os povos da floresta no centro das decisões.