A Aldeia Japiim, localizada no município de Itapiranga, recebeu uma oficina voltada para a construção do protocolo de consulta do povo Mura. A atividade reuniu lideranças, moradores e representantes da Rede de Trabalho Amazônico (GTA) em um momento de escuta, memória e fortalecimento da organização comunitária.

Antes do início da construção coletiva do documento, os participantes realizaram uma dinâmica de recordação do território, relembrando histórias da comunidade, os lugares onde cresceram e as transformações percebidas ao longo dos anos. Entre os relatos, moradores destacaram as mudanças no comportamento da natureza, principalmente nos períodos de seca e cheia dos rios, que atualmente acontecem de forma mais intensa e imprevisível.
A atividade também trouxe reflexões sobre os impactos ambientais e sociais enfrentados pelas comunidades amazônicas e a importância de registrar, no protocolo de consulta, a relação histórica do povo Mura com o território. O vice-cacique, João Mura, destacou que o protocolo de consulta representa um importante instrumento de defesa dos direitos indígenas e de fortalecimento da participação das comunidades nas decisões que afetam seus territórios.

“O protocolo de consulta é importante para fazer com que a voz dos povos seja escutada. Muitas vezes as decisões chegam até nossas comunidades sem diálogo, e esse documento fortalece nosso direito de participar e sermos respeitados”, afirmou.
O coordenador da Rede de Trabalho Amazônico, Adilson Vieira, ressaltou que o protocolo é construído a partir da realidade e das necessidades da própria comunidade. “A construção do protocolo nasce da própria comunidade. É um processo coletivo que fortalece a autonomia dos povos indígenas e garante o direito à consulta prévia, livre e informada diante de qualquer empreendimento ou atividade que possa afetar o território”, explicou.

Durante a oficina, também foram debatidos os impactos dos combustíveis fósseis na saúde das populações amazônicas. A técnica de enfermagem Dominique Matos chamou atenção para os prejuízos causados pela poluição e pelas atividades ligadas à exploração de petróleo e gás. “Os combustíveis fósseis prejudicam diretamente a saúde das comunidades. A fumaça, a poluição do ar e da água acabam aumentando problemas respiratórios, dores de cabeça e outras doenças que afetam principalmente crianças e idosos”, destacou.

Ao longo da oficina, os participantes discutiram os principais desafios enfrentados pela comunidade e contribuíram para a elaboração das diretrizes que irão compor o protocolo de consulta do povo Mura da Aldeia Japiim. O documento será utilizado como instrumento de defesa territorial e garantia dos direitos das futuras gerações.
