ARTIGO “A COP DA INCONSEQUÊNCIA” PUBLICADO NA CPT

Artigo publicado pela CPT de Carlos Augusto Pantoja Ramos, Engenheiro Florestal, Colaborador Voluntário da CPT e Nelson Bastos que é doutorando no programa Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável, ambos afiliados à Rede de Trabalho Amazônico GTA.

Artigo publicacado na página da CPT pelos afiliados à Rede de Trabalho Amazônico GTA.

No artigo intitulado “A COP da inconsequência”, publicado pela Comissão Pastoral da Terra em 30 de outubro de 2025, Carlos Augusto e Nelson Bastos fazem uma crítica contundente à condução da agenda climática no Brasil, sobretudo no contexto da realização da COP 30 em Belém do Pará. Eles afirmam que, embora o país tenha a oportunidade de ocupar uma posição de liderança global na questão ambiental, “parece sofrer de uma incurável inconsequência mercadológica”. Essa frase resume o tom do texto. Não apenas um alerta, mas um reproche à falta de coerência entre discurso climático e práticas de exploração.

Os autores recorrem à metáfora do sábio Nego Bispo para diferenciar o ato de ser controverso, que pode fazer parte do debate, do ato de ser inconsequente, que põe em risco pessoas e natureza.  A argumentação se aprofunda quando destacam que, diante de pesquisas científicas robustas que apontam os combustíveis fósseis como “o motor principal das mudanças climáticas”, o mundo parece mergulhar “em um estágio de inconsequência febril”.  É essa contradição, entre a urgência das mudanças e a manutenção de modelos insustentáveis, que estruturou o cerne da crítica.

O artigo ganha ainda maior força ao conectar a crise climática ao território amazônico. Os autores citam a licença concedida pelo Ibama para perfuração do bloco FZA-M-059 pela Petrobras, na Bacia da Foz do Rio Amazonas, uma decisão que se dá justamente na região do arquipélago do Bailique, onde comunidades tradicionais já lidam com elevação do nível do mar, salinização e perda de terras.  Eles lembram que pescadores artesanais, quilombolas e indígenas alertam para “um colapso socioambiental sem precedentes” se essa exploração avançar. 

Outro ponto central do texto é a crítica à lógica de expansão do capital industrial e da exploração de recursos na Amazônia, oleodutos, blocos de perfuração, agronegócio, mercados de carbono “azul”, que se justificam sob discursos de inovação ou desenvolvimento, mas que, segundo os autores, transformam biomas e povos em “zona de sacrifício”.

Eles sugerem que se está diante de “uma democracia cheia de controvérsias” que, no entanto, “em nome das futuras gerações, não precisa ser inconsequente”. Em outras palavras: é possível e urgente um outro caminho.

Artigo publicado na CPT por:

Carlos Augusto Pantoja Ramos, Engenheiro Florestal, Colaborador Voluntário da CPT e Nelson Bastos que é doutorando no programa Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável, ambos afiliados à Rede de Trabalho Amazônico GTA.

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