Premiação do Ministério do Meio Ambiente destaca experiências comunitárias que aliam geração de renda, proteção da sociobiodiversidade, segurança alimentar e valorização dos saberes tradicionais.

O protagonismo das comunidades tradicionais, dos povos do Cerrado e da agricultura familiar ganhou destaque nacional durante a segunda edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A iniciativa reconhece experiências que contribuem para a conservação da biodiversidade, a geração de renda, a segurança alimentar e o fortalecimento dos territórios.
Entre as iniciativas premiadas estão duas organizações de base articuladas à Rede de Trabalho Amazônico (Rede GTA) no Tocantins: a Associação dos Fruticultores, Horticultores, Apicultores e Meliponicultores de Araguacema (AFHORTAMA) e a Associação dos Agricultores Familiares, Extrativistas e Agroindustriais de Palmas (AGROP).
O reconhecimento reforça a importância do trabalho realizado por comunidades que, diariamente, protegem os biomas, fortalecem a agricultura familiar, valorizam os conhecimentos tradicionais e constroem alternativas sustentáveis de desenvolvimento a partir dos seus próprios territórios.
Agroecologia, meliponicultura e recuperação de áreas degradadas
Localizada às margens do Rio Araguaia, a AFHORTAMA foi reconhecida pela atuação na promoção de sistemas produtivos sustentáveis, que combinam agricultura familiar, recuperação de áreas degradadas, agroecologia, apicultura e meliponicultura.
Representada na cerimônia pelo presidente da associação, Pastor Darcy de Sá, a organização desenvolve ações voltadas à recuperação ambiental por meio de sistemas agroflorestais, integrando o cultivo de frutas e hortaliças à criação de abelhas nativas sem ferrão e à produção de mel.
“Esse prêmio não pertence apenas à diretoria da associação. Ele representa cada agricultora e agricultor que cuida da terra, preserva o Cerrado e demonstra que é possível produzir alimentos, gerar renda e proteger a natureza ao mesmo tempo”, destacou Pastor Darcy.
A produção da associação contribui para o abastecimento da alimentação escolar e de feiras locais, fortalecendo a economia comunitária e ampliando o acesso a alimentos saudáveis produzidos de forma sustentável.

Extrativismo sustentável e valorização dos frutos do Cerrado
Também reconhecida pelo prêmio, a AGROP tem desempenhado papel fundamental na organização de agricultores familiares e extrativistas, fortalecendo cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da sociobiodiversidade do Cerrado.
Representando a associação, a liderança comunitária Aurilene Lourenço, conhecida como Lena, recebeu a homenagem em nome das famílias que atuam na coleta, beneficiamento e comercialização de frutos nativos como pequi, buriti e baru.
A atuação da AGROP contribui para agregar valor à produção comunitária, ampliar o acesso aos mercados e fortalecer práticas que mantêm a floresta e o Cerrado em pé, gerando renda para as famílias e preservando os recursos naturais.
“Esse reconhecimento fortalece nossa luta e dá visibilidade ao trabalho de quem protege o território todos os dias. Somos agricultores, agricultoras e extrativistas que cuidam do bioma, produzem alimentos e mantêm vivos conhecimentos que passam de geração em geração”, afirmou Lena.
Soluções construídas nos territórios
Para a Rede GTA, o reconhecimento concedido à AFHORTAMA e à AGROP evidencia que as respostas para os desafios climáticos, ambientais e sociais já existem e estão sendo construídas pelas comunidades em seus territórios.
As experiências premiadas demonstram que a conservação da biodiversidade, a soberania alimentar, a geração de renda e a proteção dos modos de vida tradicionais caminham juntas. São iniciativas que fortalecem a agroecologia, valorizam os saberes locais e contribuem para a construção de modelos de desenvolvimento mais justos, sustentáveis e comprometidos com a vida.
Ao reconhecer essas organizações, o Ministério do Meio Ambiente também reafirma a importância de políticas públicas que apoiem a agricultura familiar, o extrativismo sustentável e as iniciativas comunitárias responsáveis pela proteção dos biomas brasileiros.
As trajetórias da AFHORTAMA e da AGROP mostram que defender os territórios, fortalecer as comunidades e valorizar a sociobiodiversidade são caminhos fundamentais para enfrentar a crise climática e construir um futuro mais justo para os povos do Cerrado e da Amazônia.