Profissionais da Amazônia na conferência internacional sobre saúde e transição energética na Colômbia

Na última sexta-feira, 24 de abril, foi realizada na Universidade Cooperativa da Colômbia, em Santa Marta, a conferência “Transição para longe dos Combustíveis Fósseis: um caminho para um futuro saudável”.

Participação de profissionais de saúde engajados na causa climática e atuantes nos territórios.

O evento foi coordenado pela Aliança Global por Clima e Saúde, pela Associação Colombiana de Saúde Pública e pela Aliança de Enfermeiros por Saúde Ambiental. O principal objetivo do encontro foi discutir o avanço das atividades de extração de combustíveis fósseis nos territórios e os impactos dessas ações na saúde humana e no meio ambiente.

A conferência reuniu especialistas, profissionais de saúde e representantes de organizações para debater soluções sustentáveis e os desafios da transição energética. Representando a Amazônia, integrantes da Rede GTA e da Rede Saúde e Clima Brasil participaram das discussões, levando ao cenário internacional as experiências e desafios vividos na região.

A participação de profissionais de saúde engajados na causa climática e atuantes nos territórios foi destacada como fundamental para fortalecer o debate, ampliar o conhecimento e promover ações mais efetivas em suas áreas de atuação.

Amazônia no centro do debate

Dra. Milena Sergeeva da Rede Saúde e Clima Brasil apresentando o estudo Do Berço ao Túmulo.

Para o médico André Avelino, a presença de representantes amazônicos é indispensável em discussões sobre clima e saúde.“A região Amazônica é o paradigma quando se fala em preservação do meio ambiente. Não faria sentido uma discussão séria e profunda sem a participação dos amazônidas”, destacou.

Ele chama atenção para a contradição vivida pela região: ao mesmo tempo em que sofre diretamente os efeitos das mudanças climáticas, enfrenta dificuldades para implementar soluções. “É mais desafiador implementar medidas mitigadoras nas cidades e comunidades pelos graves problemas sociais e econômicos locais, onde as necessidades básicas das pessoas não estão garantidas”, afirmou.

Impactos na saúde são amplos e preocupantes

Segundo o médico, a exploração de recursos naturais na Amazônia nem sempre se traduz em qualidade de vida para a população.“As riquezas da região não se revertem em melhorias para seus habitantes e muitas vezes agravam os problemas já existentes”, pontuou.

Os efeitos da queima de combustíveis fósseis na saúde já são conhecidos, mas ainda não totalmente mensurados. De acordo com André Avelino, há uma série de consequências diretas para as populações expostas. “Baixo peso ao nascer, maior suscetibilidade às infecções respiratórias, doenças alérgicas e crônicas nas vias aéreas são comuns.

Também há aumento de doenças fibrosantes, câncer e eventos cardiovasculares”, explicou.Ele ainda destaca que fatores psicológicos e comportamentais também influenciam o adoecimento, tornando o cenário ainda mais complexo. “Não existe desenvolvimento e bem-estar sem a promoção de saúde”, reforçou.

Falta de políticas públicas e necessidade de ação.

Dra. Raquel Casanova, médica amazonense contribui para o evento na Colômbia. A transição energética é questão de saúde.

A médica Raquel Casanova também alertou para a gravidade do problema, destacando que os impactos atingem todas as fases da vida.“A exposição à poluição gerada por combustíveis fósseis está associada ao aumento de cânceres, demências, doenças cardiovasculares e respiratórias, além de agravar condições crônicas”, afirmou.

Apesar dos avanços no debate científico, ela aponta uma lacuna importante nas políticas públicas. “Infelizmente, hoje não se têm políticas públicas incorporadas para estratégias de mitigação, prevenção e transição para fontes de energia mais limpas”, disse.

Diálogo entre ciência e comunidades

Para Raquel Casanova, eventos como o realizado em Santa Marta são fundamentais para aproximar diferentes setores da sociedade destacou.

“Esses espaços permitem a troca de conhecimentos, divulgação de evidências científicas e a construção de estratégias mais acessíveis e eficazes para a prevenção de doenças e promoção da saúde”

Ela também reforçou o papel dos profissionais que atuam diretamente nos territórios.“A participação de profissionais de saúde engajados na causa climática é essencial para fortalecer o debate e promover ações mais efetivas”, concluiu.

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