GTA na Expedição “25 Anos. Feridas e Resistência”

Vinte e cinco anos depois de registrar os impactos da indústria de petróleo e gás na Amazônia, o pesquisador alemão Dieter Gawora retorna ao Amazonas, à convite da Rede de Trabalho Amazônico GTA que realizou a expedição em parceria com o Coletivo Pororoka.

Operação do Gasoduto da Petrobrás em Coari – Am, próximo à Comunidade Vila Lira.

Vinte e cinco anos depois de registrar em sua pesquisa os primeiros impactos da exploração de petróleo e gás na Amazônia, o pesquisador alemão Dieter Gawora retorna ao município de Coari para revisitar um território marcado por promessas de desenvolvimento e por profundas contradições socioambientais.

Autor do livro Urucu, obra que analisou a chegada da indústria de petróleo e gás na região, Gawora agora integra a Expedição “25 Anos. Feridas e Resistência”, realizada pela Rede de Trabalho Amazônico GTA em parceria com o Coletivo Pororoka.

O Pesquisador alemão Dr. Dieter Gawora retorna após 25 anos à Amazônia para constatar a veracidade de suas previsões quanto os impactos da indústria de combustíveis fósseis.

Coari tornou-se um dos principais centros da indústria de gás e petróleo da Amazônia a partir da exploração na região de Urucu pela Petrobras. Embora o município tenha cerca de 70 mil habitantes registrados oficialmente, lideranças locais e organizações sociais afirmam que a população real ultrapassa 100 mil pessoas, impulsionada por décadas de migração e crescimento ligado à economia do petróleo.

Apesar disso, muitas comunidades indígenas e ribeirinhas continuam vivendo sem infraestrutura básica. Durante a expedição, o pesquisador, a Rede GTA e o Coletivo Pororoka, visitaram comunidades que convivem diretamente com os impactos da indústria fóssil. Entre os relatos estão escassez de pescado, insegurança alimentar, poluição da água, falta de energia elétrica constante por dias, escolas precárias e ausência de atendimento de saúde e remédios.

Entrada da cidade de Coari no Amazonas. O contraste da realidade de um município que recebe milhões em royalties da indústria de combustíveis fósseis.

Também foram registrados casos de assédio e pressão policial contra lideranças comunitárias que denunciam impactos ambientais e sociais.A presença do aparato de segurança na região também chama atenção. A chamada Base Arpão, operação policial permanente no rio Solimões, tornou-se um dos principais pontos de controle na região. Embora oficialmente voltada ao combate ao narcotráfico e crimes ambientais, lideranças locais afirmam que a estrutura acaba reforçando a proteção logística da indústria petrolífera e do fluxo econômico ligado ao setor.

Outro ponto central do debate é a infraestrutura energética que conecta Coari ao restante do estado. O gasoduto que transporta gás natural da região de Urucu até Manaus possui aproximadamente 661 quilômetros de extensão, atravessando a floresta amazônica e diversos municípios do interior. A obra consumiu cerca de R$ 4,58 bilhões em investimentos públicos e empresariais ao longo de sua construção.

Em 2019, a Petrobras vendeu 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), empresa responsável pela malha de gasodutos, para um consórcio liderado pela Engie e pelo fundo canadense CDPQ por cerca de US$ 8,6 bilhões (aproximadamente R$ 33 bilhões). Mesmo após a venda, a própria Petrobras continua utilizando a infraestrutura por meio de contratos de transporte de gás, pagando pelo uso da rede que antes era sua.

Esse modelo reforça uma contradição evidente no território. Enquanto bilhões circulam no setor energético, muitas comunidades ao redor das áreas de exploração seguem enfrentando carência estrutural e impactos ambientais persistentes.

A Expedição “25 Anos. Feridas e Resistência”, surge justamente para revisitar essa história e perguntar, “O que mudou em um quarto de século de exploração fóssil na Amazônia?”. A iniciativa busca também produzir documentação jornalística, audiovisual e fotográfica, revelando a realidade vivida por povos indígenas e comunidades ribeirinhas que convivem com a exploração de petróleo e gás dentro de seus territórios.

Mais do que registrar impactos, a expedição também levanta um debate urgente. Justiça climática e transição energética justa para os povos da Amazônia. Se o mundo discute o fim gradual dos combustíveis fósseis, as populações que vivem nos territórios de exploração precisam ser protagonistas das decisões sobre o futuro da região.

Protagonismo amazônico que vem da escuta da voz das populações do território.

Em uma série de vídeos, reportagens e ensaios fotográficos, vamos mostrar a realidade de comunidades que vivem à mercê da indústria de combustíveis fósseis e o que realmente acontece quando grandes empresas exploram o território de povos tradicionais e originários na Amazônia.

A expedição também fortalece uma mensagem política e ética: a Amazônia precisa de outro caminho de desenvolvimento. Um caminho baseado no cuidado com os territórios, na proteção das águas e no respeito aos povos da floresta. Por uma Amazônia Livre de Petróleo.Chega de furar. É hora de cuidar.

Comunidade Esperança I em reunião com a Rede de Trabalho Amazônico GTA e o Coletivo Pororoka.

Instagrans: @redegta @segueapororoka @embaixadadospovosoficial

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