
A Rede Saúde e Clima Brasil, comunidade de prática colaborativa e nacional que conecta conhecimentos científicos e saberes transdisciplinares para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde e lançada oficialmente em novembro de 2025 durante a COP30, na Embaixada dos Povos em Belém, é uma rede que passará a atuar defendendo que a justiça climática depende da justiça em saúde e do direito ao bem viver. A Rede terá o papel em várias missões como a de conectar políticas de saúde e de clima integradas através de planos de ação para eventos climáticos, de empoderar profissionais de saúde e gestores para atuarem frente às mudanças climáticas ou de criar conselhos de saúde nas três esferas de poder, criando orgãos e conselhos.
Alguns dos atores que fazem parte da Rede e apostam na ousadia do projeto são a Fiocruz, Saúde e Alegria, Projeto Hospitais Saudáveis, Rede de Trabalho Amazônico GTA, Uma Concertação pela Amazônia, IEP (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) entre outros presentes na reunião que abre a agenda de 2026.
O médico sanitarista Eugênio Scannavino Neto, do Projeto Saúde e Alegria, fundado em 1987 na bacia do Rio Tapajós, fala sobre as ambições do Saúde e Alegria na rede. “Educar e sensibilizar o público em geral da grande emergência climática”. Ele explica que a emergência climática é uma situação imediata e catastrófica cuja dimensão não é entendida pelas pessoas e ele avisa. “Na crise climática, o que bate na porta de todo mundo primeiro é a saúde. Pessoas podem ser vítimas de uma enchente, mas em se tratando de saúde, as mudanças climáticas pegam todo mundo”.

Michelle Rocha El Kadri. Diretora de pesquisa da Fiocruz Amazônia afirma que falar sobre os saberes ancestrais e tradicionais é fundamental para o sucesso da Rede como referência. “Se a gente está de fato.falando em transformar, a gente precisa trazer todo mundo junto em um processo que não seja verticalizado ou que um saber se sobreponha ao outro. A gente está em um momento político muito importante e que potencializa esses encontros de saberes e de práticas de cuidado dos territórios.”
A busca será pela transversalidade da agenda da saúde no País, integração das organizações integrantes, articulação internacional e a busca pela pluralidade e representatividade dentro da rede que busca estabelecer eixos estruturantes como educação e sensibilização, disseminação de conhecimento e inovação, a pesquisa dos saberes tradicionais, científicos e da academia. Um dos eixos que é unanimidade dentro da discussão da Rede é o Eixo da Mobilização. E é nesse contexto que a sociedade se torna parte vital do sucesso da rede.
Ano passado, a Rede de Trabalho Amazônico GTA instituiu o GT Saúde e Clima como eixo estratégico, reconhecendo que a saúde atravessa todos os seus temas de atuação, dos combustíveis fósseis ao desmatamento, do gás e petróleo à mineração e aos agrotóxicos, porque os impactos recaem diretamente sobre as comunidades da Amazônia.

Como co-fundadora da Rede Saúde e Clima Brasil, a liderança Sila Mesquita Apurinã reforça que “é urgente discutir saúde e clima de forma prioritária, com planejamento, comunicação e ação concreta nos territórios”, e destaca que “a rede precisa ser esse mecanismo de informação, mobilização e incidência para que as comunidades tenham acesso ao que precisam e possam se antecipar, com prevenção, antes que a doença chegue”.
Contato assessoria: João Paulo Guimarães. Celular. 91 983302972 / comunicacao@joao-paulo
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