Sila Mesquita alerta que queda no desmatamento “não encerra o desafio” e cobra continuidade e transparência na agenda ambiental. Pedro Ivo Batista, afiliado da Rede GTA, endossa que “é necessário avançar e tem de mudar o modelo agrícola que degrada os ecossistemas

No cenário de alianças e disputas que antecedem a COP30, o anúncio de uma queda de 11% na perda florestal da Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025, conforme relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), trouxe otimismo cauteloso.
Para as lideranças tradicionais da floresta, esse dado, embora relevante, não afasta as urgências históricas de proteção, participação e mudança estrutural.
Como coordenadora nacional da Rede de Trabalho Amazônico GTA, Sila Mesquita destaca que “quando há decisão política alinhada a ações concretas, os resultados aparecem”. Ela vê na redução do desmatamento um “sinal”. Reconhecimento de que a presença estatal, a retomada de fiscalização e o envolvimento das comunidades tradicionais podem funcionar.
Ao mesmo tempo, alerta que o desafio permanece: “A degradação ainda avança, as pressões seguem violentas, e é preciso lembrar que o desmatamento acumulado dos últimos anos deixou marcas profundas”.

Sila Mesquita Apurinã. “….esperamos que o governo demonstre não apenas indicadores, mas compromissos firmes….”
Mesquita reivindica ainda maior protagonismo dos povos indígenas e tradicionais: “São esses povos que há séculos garantem a floresta em pé”. Para ela, a COP30 representa uma oportunidade para o Brasil “chegar com mais legitimidade para reivindicar protagonismo e liderança climática”. Mas com ressalvas: “Protagonismo real não se constrói só com discurso. Exige continuidade, transparência, financiamento e participação social.”
Do lado de quem atua como dirigente da Federação de Organizações Indígenas do Distrito Federal e Territórios, FOI/FBOMS e membro afiliado da Rede de Trabalho Amazônico GTA, Pedro Ivo Batista endossa que “é necessário avançar e tem de mudar o modelo agrícola que degrada os ecossistemas, implementar uma ampla política pública que fortaleça a agroecologia e plantar no mínimo 100 milhões de árvores para regenerar os ecossistemas”.

Pedro Ivo Batista endossa que “é necessário avançar e tem de mudar o modelo agrícola que degrada os ecossistemas….”
Entretanto, ele lamenta que a iniciativa de retomada das cadeias de proteção ambiental esteja sendo ofuscada por decisões contrárias. “Lamentavelmente será uma mácula irreversível do nosso governo federal”, disse acerca da liberação de prospecção de petróleo na Margem Equatorial.
O que isso significa para a COP30
Segundo as lideranças ouvidas, o Brasil ganha terreno para operar diplomacia climática, o recuo no desmatamento pode ampliar seu “cartão de visita” internacional. Mas o alerta uníssono é claro. Indicadores positivos não bastam se não vier junto mudança estrutural, coerência política e participação plena dos povos da floresta.
Sila Mesquita resume bem o vácuo entre discurso e prática. “Na COP30, esperamos que o governo demonstre não apenas indicadores, mas compromissos firmes para garantir que a Amazônia Viva seja o centro da política climática do País”.
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