A Rede de Trabalho Amazônico (GTA) foi destaque nacional no artigo “Fundo de Financiamento para Florestas Tropicais: a nova fantasia financeira do colapso climático”, assinado pelos pesquisadores Adilson Vieira e Pedro Ivo, publicado no Brasil de Fato em 3 de outubro de 2025.

O texto faz uma crítica contundente ao chamado Tropical Forest Finance Fund (TFFF), proposta apresentada pelo governo brasileiro e apoiada por organismos internacionais como uma solução inovadora para a crise climática. Segundo os autores, o TFFF promete transformar os serviços ecossistêmicos das florestas tropicais, como regulação climática, sequestro de carbono e conservação da biodiversidade, em ativos financeiros. O mecanismo prevê a criação de um fundo global estimado em US$ 125 bilhões, capaz de remunerar países tropicais a partir de US$ 4 por hectare de floresta preservada, operando como uma espécie de “ação verde” no mercado global.
Para a Rede GTA, citada no artigo, esse tipo de proposta representa mais uma tentativa de submeter a Amazônia e seus povos à lógica de mercado. “O valor simbólico de quatro dólares por hectare é ridículo diante da dimensão dos serviços ambientais e sociais prestados pelas florestas. A natureza não pode ser precificada a partir do que o mercado aceita pagar”, reforçam os autores ao ecoar críticas de organizações amazônicas.
O texto destaca que, além de reduzir o valor da floresta a um índice financeiro, o modelo concentra poder nas mãos dos governos e investidores. Apenas uma pequena parcela dos recursos, “no mínimo 20%”, segundo estimativas, seria destinada diretamente aos povos indígenas e comunidades tradicionais. O restante seria administrado pelos Ministérios das Finanças, deixando as comunidades fora da gestão e da decisão sobre os próprios territórios.
Os autores alertam ainda para a volatilidade do modelo, que depende de retornos anuais de até 7,5% para garantir o funcionamento do fundo. Caso o capital privado recue, os pagamentos poderiam ser interrompidos ou reduzidos, colocando em risco a proteção de milhões de hectares de floresta. Na prática, o TFFF poderia até gerar novas dívidas para os países detentores de florestas, vinculando sua soberania ambiental à especulação financeira.

O artigo também relaciona a proposta à mercantilização da natureza e à despolitização da crise climática. “Transformar o colapso climático em uma oportunidade de negócios é mascarar suas causas reais, a exploração predatória, a concentração de poder econômico e o extrativismo desenfreado”, escrevem Vieira e Ivo.
Em tom conclusivo, o texto defende alternativas baseadas em soberania territorial, autonomia dos povos da floresta e ruptura com o extrativismo predatório. “Combater o colapso climático não é uma operação de engenharia financeira. É uma operação política e revolucionária. É recusar que a vida seja transformada em título negociável”, afirmam os autores, citando experiências da Rede GTA como referência de gestão comunitária e resistência à financeirização da Amazônia.
Fonte: Brasil de Fato, “Fundo de Financiamento para Florestas Tropicais: a nova fantasia financeira do colapso climático”.
https://www.brasildefato.com.br/2025/10/03/fundo-de-financiamento-para-florestas-tropicais-a-nova-fantasia-financeira-do-colapso-climatico/