
Quem decide o futuro dos territórios onde o petróleo e o gás são apresentados como promessa de desenvolvimento? Essa é a pergunta que a Rede GTA leva a todos os espaços onde a exploração na Foz do Amazonas está em debate.
Um deles foi o III Encontro Fortalecendo os Observatórios da Amazônia Legal, realizado nos dias 27 e 28 de outubro, em Soure, no Marajó (PA), com a participação do regional Marajó da Rede GTA e do parceiro MAF Brasil (Movimento dos Atingidos pelos Combustíveis Fósseis).
A presença no encontro faz parte da agenda da campanha Chega de Furar, é hora de cuidar, que segue depois da 1ª Audiência Pública e Popular sobre os danos da exploração de petróleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas e no Marajó, realizada pela Rede GTA em 15 de outubro, no auditório do Ministério Público Federal, em Belém, e do lançamento do documentário Antes que decidam por nós, disponível no Youtube da Rede GTA.
Um encontro para fortalecer quem monitora e defende o território

O encontro foi promovido pelo Instituto Centro de Vida (ICV), pelo ObservaMT e pelo Observatório do Marajó. Reuniu observatórios, organizações e movimentos sociais para trocar experiências e fortalecer a atuação conjunta na defesa do meio ambiente e dos direitos socioambientais da Amazônia Legal.
A Rede GTA e o MAF Brasil foram convidados para discutir a transição energética e os danos da exploração de petróleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas. Representaram a Rede GTA Nelson Ramos Bastos, coordenador do regional Marajó, e Jorge Gabriel.
Enquanto o debate acontece, a perfuração avança
O tema não é abstrato. Em agosto, a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá. Em setembro, o Ibama autorizou a perfuração de três novos poços exploratórios no mesmo bloco, e o MPF cobrou esclarecimentos sobre divergências no cronograma das atividades.
Para a Rede GTA, a abertura de uma nova fronteira de petróleo na Amazônia está sendo conduzida sem que quem vive na região seja ouvido de forma adequada. Pescadores, ribeirinhos, quilombolas, indígenas e moradores do Marajó são os primeiros a sentir qualquer dano ao mar, aos rios e aos manguezais, e os que menos têm voz nas decisões
Chega de furar. É hora de cuidar.