Representada pelo coordenador regional do Tocantins, João Bosco Campos, a Rede GTA alertou para os impactos dos agrotóxicos sobre o solo, as águas, os alimentos e a saúde humana

A Rede de Trabalho Amazônico (Rede GTA) participou da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional +2, realizada entre os dias 8 e 10 de junho, em Brasília (DF). A organização foi representada pelo coordenador da Regional Tocantins, João Bosco Campos, que levou ao encontro importantes preocupações relacionadas à contaminação ambiental, aos impactos dos agrotóxicos e à necessidade de integrar os debates sobre saúde, clima e segurança alimentar.
A participação da Rede GTA reafirmou seu compromisso histórico com a defesa da Amazônia, do Cerrado, dos povos e comunidades tradicionais, da agricultura familiar, da sociobiodiversidade e do direito humano à alimentação adequada, saudável e livre de contaminantes.
Durante os três dias de programação, representantes da sociedade civil, do poder público, de movimentos sociais, conselhos e organizações de diferentes regiões do país discutiram os desafios das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, especialmente diante do agravamento das desigualdades sociais, das mudanças climáticas e da degradação ambiental.
Na plenária de encerramento, realizada no dia 10 de junho, João Bosco Campos fez uma intervenção em nome da Rede GTA, chamando atenção para um tema que, apesar de sua gravidade, não recebeu o aprofundamento necessário ao longo da Conferência: os impactos dos agrotóxicos e de outras substâncias contaminantes sobre a saúde das pessoas, a qualidade dos alimentos e os ecossistemas.

Em sua manifestação, o coordenador destacou que não é possível falar em alimentação adequada e saudável sem considerar as condições em que os alimentos são produzidos. Segundo ele, a segurança alimentar precisa estar diretamente associada à proteção da saúde, dos territórios e dos bens naturais.
João Bosco alertou que não existe segurança alimentar quando a produção de alimentos está associada à contaminação ambiental, ao adoecimento da população e à degradação dos territórios. Para a Rede GTA, garantir o acesso aos alimentos também significa assegurar que eles sejam produzidos de forma segura, sustentável e socialmente justa.
Os impactos dos agrotóxicos ultrapassam as áreas de cultivo, atingindo rios, aquíferos, solos, alimentos e comunidades inteiras. Povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e agricultores familiares estão entre os grupos mais vulneráveis à exposição direta e indireta a substâncias tóxicas presentes no ambiente.
Ao levar essa preocupação à plenária final, a Rede GTA destacou que segurança alimentar e nutricional não significa apenas assegurar quantidade suficiente de alimentos. É necessário garantir que esses alimentos sejam seguros, nutritivos, livres de contaminação e produzidos com respeito às pessoas e ao meio ambiente.

João Bosco Campos também sugeriu que a manifestação da Rede GTA fosse oficialmente registrada e incorporada aos anais da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional +2, preservando a contribuição apresentada e permitindo que o tema seja considerado nos próximos processos de formulação, revisão e avaliação das políticas públicas.
A proposta apresentada pela Rede GTA é que os próximos encontros e conferências incluam, de maneira transversal e permanente, o eixo temático “Saúde, Clima e Segurança Alimentar e Nutricional”.
A criação desse eixo permitiria aprofundar as discussões sobre mudanças climáticas, uso de agrotóxicos, contaminação das águas e dos solos, presença de metais pesados, qualidade dos alimentos, saúde coletiva e proteção dos territórios.
Para a Rede GTA, essas questões não podem ser tratadas de forma isolada. As mudanças climáticas afetam os ciclos das águas, a biodiversidade, a produção agrícola e a disponibilidade de alimentos. Ao mesmo tempo, a degradação ambiental compromete territórios, modos de vida e a capacidade das comunidades de produzir e acessar alimentos saudáveis.
A organização também reforçou que fortalecer a agricultura familiar, a agroecologia e os sistemas produtivos tradicionais é fundamental para garantir soberania alimentar, conservar a biodiversidade e enfrentar a crise climática. Esses modelos de produção contribuem para a proteção dos territórios e para a construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.

A intervenção realizada por João Bosco Campos reforçou a necessidade de uma visão mais ampla e integrada da segurança alimentar e nutricional. Combater a fome é uma responsabilidade fundamental do Estado e da sociedade, mas também é indispensável garantir que os alimentos disponibilizados à população não sejam produzidos à custa da contaminação ambiental, do adoecimento das pessoas ou da destruição dos territórios.
A participação da Rede GTA, por meio da Regional Tocantins, demonstrou a importância da presença das organizações da sociedade civil nos espaços nacionais de diálogo, participação e controle social. Ao apresentar uma contribuição crítica, responsável e propositiva, a organização colaborou para ampliar o debate e reafirmou que o direito à alimentação adequada está diretamente relacionado aos direitos à saúde, à água de qualidade, ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e a um clima seguro.
A Rede GTA defende que o debate sobre segurança alimentar avance para além do combate à fome, incorporando temas como justiça climática, proteção dos territórios, qualidade da água, produção agroecológica e enfrentamento ao uso indiscriminado de agrotóxicos.
Para a organização, garantir alimentação adequada significa assegurar condições dignas de produção e de vida para os povos do campo, da floresta e das águas. Não há segurança alimentar verdadeira quando os territórios estão contaminados, os ecossistemas ameaçados e a saúde das populações em risco.