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Artigo sobre minerais críticos ganha repercussão internacional e fortalece debate sobre a Amazônia

Artigo de Adilson Vieira e Pedro Ivo Batista da Associação alternativa terra azul e Fboms, analisa os riscos socioambientais da expansão da mineração estratégica e alerta para uma nova corrida colonial impulsionada pela transição energética global.

A produção de conhecimento construída a partir da Amazônia segue alcançando novos espaços de diálogo e incidência internacional. Um artigo assinado por Adilson Vieira, Coordenador de Articulação e Parcerias da Rede de Trabalho Amazônico (GTA), e pelo pesquisador Pedro Ivo Batista foi repercutido pelo portal europeu Europe Solidaire Sans Frontières (ESSF), organização que reúne análises, pesquisas e debates sobre direitos humanos, justiça social, meio ambiente e movimentos populares em diferentes partes do mundo.

Intitulado “Brasil e a nova corrida colonial por minerais críticos”, o artigo analisa os impactos da recente aprovação do Projeto de Lei dos Minerais Críticos pela Câmara dos Deputados e alerta para os riscos de uma expansão acelerada da mineração sob o argumento da transição energética global.

Os autores argumentam que, embora a crise climática exija mudanças profundas e urgentes nos modelos de produção e consumo, existe o risco de que a chamada economia verde reproduza antigas dinâmicas de exploração dos territórios e das populações do Sul Global. Segundo o texto, minerais como lítio, cobre, níquel, grafite, cobalto e terras raras tornaram-se estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, sistemas digitais e outras tecnologias associadas à transição energética.

Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar posição central na disputa geopolítica internacional devido à sua riqueza mineral e à presença de importantes reservas localizadas em regiões ambientalmente sensíveis e habitadas por povos indígenas, comunidades tradicionais e populações rurais.

Para os autores, a velocidade com que o debate sobre minerais críticos vem avançando no país contrasta com a baixa participação da sociedade civil, dos movimentos sociais, das universidades e das comunidades diretamente afetadas pelas atividades minerárias.

“O que está em jogo não é apenas uma política mineral, mas a forma como o Brasil pretende enfrentar a crise climática. Uma transição energética construída à custa da destruição de territórios, da flexibilização ambiental e da violação de direitos não pode ser considerada justa”, defendem os pesquisadores.

O artigo também chama atenção para os riscos de flexibilização dos processos de licenciamento ambiental, para a ampliação dos conflitos territoriais e para os impactos que a expansão da mineração pode provocar em áreas indígenas, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas, agricultores familiares e demais povos tradicionais.

A repercussão internacional do texto reforça a importância de ampliar a presença das perspectivas amazônicas nos debates globais sobre clima, energia e desenvolvimento. Ao levar essas reflexões para espaços internacionais, os autores contribuem para fortalecer a defesa dos direitos territoriais, da justiça climática e da participação social nas decisões que afetam o futuro da Amazônia.

Mais do que um reconhecimento acadêmico, a publicação evidencia a relevância da produção de conhecimento comprometida com os territórios e com a construção de alternativas que conciliem proteção ambiental, democracia e justiça social.

Autores

Adilson Vieira é Coordenador de Articulação e Parcerias da Rede de Trabalho Amazônico (GTA), pesquisador e articulador socioambiental com atuação voltada à justiça climática, defesa dos territórios e direitos dos povos da Amazônia.

Pedro Ivo Batista é pesquisador e analista socioambiental, das organizações Associação alternativa terra azul e Fboms, com atuação nos temas relacionados à crise climática, extrativismo, transição energética e conflitos territoriais.

🔗 Leia o artigo completo: https://www.europe-solidaire.org/spip.php?article79015

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